Foi uma época de transição entre a Idade Média e o Renascimento.
Como o próprio nome já diz, o ser humano passou a ser valorizado.
Foi nessa época que surgiu uma nova classe social: a burguesia. Os burgueses não eram nem servos e nem comerciantes.
Com o aparecimento desta nova classe social foram aparecendo as cidades e muitos homens que moravam no campo se mudaram para morar nestas cidades, como conseqüência o regime feudal de servidão desapareceu.
Foram criadas novas leis e o poder parou nas mãos daqueles que, apesar de não serem nobres, eram ricos.
O “status” econômico passou a ser muito valorizado, muito mais do que o título de nobreza.
As Grandes Navegações trouxeram ao homem confiança de sua capacidade e vontade de conhecer e descobrir várias coisas. A religião começou a decair (mas não desapareceu) e o teocentrismo deu lugar ao antropocentrismo, ou seja, o homem passou a ser o centro de tudo e não mais Deus.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Declaração de Amesterdão de 1952

Este congresso é uma resposta à procura generalizada por uma alternativa, por um lado, às religiões que alegam serem baseadas em
revelação, e, por outro, aos sistemas totalitários. A alternativa apresentada como uma terceira via para sair da presente crise de civilização é o humanismo, que não é uma nova seita, mas o resultado de uma longa tradição que tem inspirado muitos do pensadores mundiais e artistas criativos e deu origem à própria ciência.
O humanismo ético une todos aqueles que não podem mais acreditar nas várias fés e estão dispostos a assentar as suas convicções no
respeito pelo homem enquanto ser espiritual e moral. Os fundamentos do humanismo ético moderno são os seguintes:
1.É democrático. Ambiciona ao mais pleno desenvolvimento de cada ser humano. Mantém que se trata de uma questão de direitos. O
princípio democrático pode ser aplicado a todas as relações humanas e não se restringe a métodos de governo.
2.Procura usar a ciência de forma criativa, não destrutiva. Defende uma aplicação global do método científico a problemas relacionados com o bem-estar humano. Os humanistas acreditam que os enormes problemas com que se defronta a humanidade nesta época de transição podem ser resolvidos. A ciência fornece os meios, mas a ciência por si própria não propõe os fins.
As ideias do Humanismo Iluminista

Tal como os humanistas da antiguidade, os filósofos do Iluminismo acreditavam na razão do homem, sendo inclusivamente o Iluminismo também conhecido como a Idade da Razão. O seu objectivo era estabelecer uma base moral, religiosa e política que acompanhasse a razão intemporal do homem.
A ênfase passou a ser colocada na educação, com o objectivo de se criar uma raça iluminada. Os iluministas acreditavam que tinha chegado o momento de esclarecer as massas, criando assim uma sociedade melhor. Com uma maior educação, seria o fim da miséria e da opressão, pois estas eram causadas apenas pela ignorância e pela superstição. A humanidade iria dar grandes avanços e a irracionalidade e ignorância seriam varridas da face da Terra.
Os iluministas lutavam pelos direitos do indivíduos e do cidadão, o que significava a luta primordial pela liberdade de imprensa, que não existia na época. Os direitos do indivíduo de expressar as suas opiniões tinham que ser assegurados, quer fossem assuntos de cariz religioso, moral ou político.
Como produtos que ainda hoje influenciam as nossas vidas, foram os criadores da Enciclopédia, inspiraram muitas das constituições que existem hoje pelo mundo fora e criaram os alicerces para a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas.
As ideias do Humanismo Renascentista

A Renascença representou o renascimento do Humanismo da Antiguidade. Em busca de filosofias e moralidades alternativas às cristãs, que tinham sido universais durante a Idade Média, os humanistas da Renascença estudaram as obras produzidas na Antiguidade Grega e Romana.
Na Renascença tornou-se uma obsessão o regresso ao passado clássico, à sua arte e cultura, o que influenciou fortemente a educação que passou a incluir o estudo do Humanismo. Este foi também o período em que a Europa iniciou a sua longa caminhada para a secularização, que conduziria ao afastamento da Igreja dos caminhos do poder.
O Renascimento viu nascer o método empírico, método esse que é usado pela Ciência até aos nossos dias e que foi fundamental para dar credibilidade à Ciência.
O Humanismo no Renascimento

Após a idade média, surge no século XIV, como força contrária ao obscurantismo introduzido na Europa pelos excessos do Cristianismo e da Igreja Católica, o Renascimento. O Humanismo do Renascimento constituiu um ponto de viragem nas preocupações com as falsas imoralidades e colocou a ênfase na importância da se viver a vida com prazer. Foi também um período em que as artes e o conhecimento floresceram e que a Europa progrediu em termos civilizacionais, recuperando do seu atraso relativamente a outras partes do mundo.
Leonardo da Vinci
Como um exemplo de um homem do Renascimento, podemos apresentar Leonardo da Vinci. Jovem, com apenas 17 anos, viajou em 1469 para Florença, núcleo do Renascimento. Nesta cidade, energeticamente, envolveu-se em todas as áreas da arte, da cultura e da ciência. Interessou-se pelo estudo da natureza e dos processos naturais, dando a sua atenção a assuntos tão distintos como o movimento da água, o sistema circulatório humano, o feto no ventre da mãe e as fibras e pétalas das plantas. Não bastando isto, tornou-se inventor, descobrindo princípios que ainda hoje são utilizados em muitas das nossas máquinas.
O Humanismo na Antiguidade

Sócrates
As primeiras referência a filosofias semelhantes ao Humanismo surgem na Antiguidade, no turbilhão de ideias produzido pelos filósofos da Grécia Antiga. Foi com eles que pela primeira vez no mundo ocidental se tentaram encontrar explicações racionais para o mundo que nos rodeia, sem ter como base a religião e a superstição.
Sócrates, condenado à morte em 399 a.C., por colocar em causa os deuses oficiais e sendo por isso acusado de corromper a juventude, foi talvez o primeiro Humanista famoso, apesar de ainda não ser conhecida tal palavra. A convicção nas suas ideias era tanta, que se recusou a pedir misericórdia pelos seus actos, sendo por isso obrigado a suicidar-se com cicuta.
Sócrates baseava a suas ideias nos problemas humanos, tentando descortinar qual o modo de vida ideal para o homem. Acerca dele alguém disse que "fazia a filosofia descer do céu à terra, alojava-a nas cidades e trazia-a para dentro dos lares, obrigando as pessoas a pensar acerca da vida e da moral, acerca do bem e do mal".

Humanismo Moderno
Também chamado Humanismo Naturalista, Humanismo Científico, Humanismo Ético e Humanismo Democrático, é definido por um dos seus principais proponentes, Corliss Lamont, como “uma filosofia naturalista que rejeita todo o sobrenaturalismo e se apoia com primazia na razão e ciência, na democracia e compaixão humana”. O Humanismo Moderno tem uma origem dupla, secular e religiosa, e estas constituem as suas subcategorias.
Humanismo Secular
É um desenvolvimento do iluminismo racionalista do séc. XVIII e do livre-pensamento do séc. XIX. Muitos grupos seculares, como o Council for Secular Humanism (Conselho pelo Humanismo Secular) e a American Rationalist Federation (Federação Racionalista Americana), e muitos filósofos académicos e cientistas não filiados entre si, defendem esta filosofia.
Humanismo Religioso
Originou, em grande parte, da Cultura Ética, Unitarianismo e Universalismo. No presente, muitas congregações Unitárias Universalistas e todas as sociedades de Cultura Ética descrevem-se como humanistas no senso moderno.
A maior ironia em lidar com o Humanismo Moderno é a tendência dos seus defensores em discordarem se esta visão do mundo é ou não religiosa. Os que o vêem como uma filosofia são os Humanistas Seculares enquanto os que o vêem como uma religião são os Humanistas Religiosos. Este diferendo dura desde o início do séc. XX quando as tradições secular e religiosa convergiram e deram origem ao Humanismo Moderno.
Ambos os Humanistas Seculares e Religiosos partilham a mesma visão do mundo e os mesmos princípios básicos. Isto torna-se claro pelo facto de muitos Humanistas Seculares e muitos Humanistas Religiosos terem estado entre os signatários do Manifesto Humanista I em 1933, Manifesto Humanista II em 1973 e Manifesto Humanista III em 2003. Na perspectiva apenas filosófica não existem diferenças entre os dois. É apenas na definição de religião e na prática da filosofia que os Humanistas Seculares e Religiosos de facto discordam.
A definição de religião usada pelos Humanistas Religiosos é, com frequência, funcional. Religião é o que serve as necessidades pessoais e sociais de um grupo de pessoas que partilham a mesma visão filosófica do mundo.
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